Em pausa

2-2

Julho 15, 2008 · 3 Comentários

Não foi há mais de meia hora.

O som que vinha do respirador da casa de banho e as penas que caiam para cima do lavatório denunciavam a aflição do pequeno bicho aprisionado. Abertas as portas da “prisão” sai um pardal.

Dois cadáveres no tubo tornam a contagem negra, mas o segundo escondia um segundo bem vivo.

Ambos demoraram menos de um minuto a voar janela fora em direcção ao nevoeiro. Ambos tornaram um empate numa vitória.

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Rickiee Lee Jones, Famalicão, 12 de Julho de 2008

Julho 14, 2008 · Sem Comentários

Não há muito que eu possa escrever aqui que faça justiça ao momento enorme (histórico no sentido da história que todos nós levamos em ombros) que foi o concerto da Rickie Lee Jones em Famalicão no dia 12.

O espectáculo, pouco ensaiado e nada formatado, que se ia desenrolado ali à nossa frente, revelava uma enorme cumplicidade entre ela e a sua companheira de viagem, Petra Haden. Havia uma set list que só ao fim de duas ou três canções veio para o palco, para ficar abandonada em cima de um banco, longe do olhar da cantora (Eu não a vi e não imagino o que pudesse estar lá escrito).

O alinhamento cruzava os 3 ou 4 hits (quase hits) que toda a gente esperaria ouvir com escolhas pouco ou nada óbvias. Como exemplo, o concerto abre com “Scary Chinese Movie” de Ghostyhead, álbum mal amado ao qual ainda se recupera um inesquecível “Vessel of Light”, com um lento e despreocupado jogo a duas vozes, prazer e descoberta, experimentação e saber. O alinhamento vai recuperar o tema título de Magazine, numa feliz versão que pouco ou nada lembra esse disco também mal amado (mas a meu ver por motivos mais nobres).

E também há a descontração de alguém que tem mau feitio, pouco ou nada a provar. Que decide a meio não mudar de guitarra por não perceber como é que os pedais estão montados, ou seja, incapaz de perceber como desligar o som de uma e ligar o da outra. Que sorri quando a sua parceira admite não conseguir tocar pandeireta e cantar ao mesmo tempo, para depois admitir ter colocado um chocalho na perna errada. Que avança para uma canção da qual não conhece a letra toda “porque a parte que conhece é óptima”.

Dito isto pode achar-se que tudo aquilo foi uma farsa amadora. Não se enganem. Foi exactamente o contrário. Tudo isto são pequenos pormenores, o resto foi um momento mágico, daqueles em que o tempo para, em que só se respira no fim das canções, porque estas nos deixam verdadeiramente suspensos. Daqueles em que a música se agiganta quando tocada ao vivo. Daqueles em que uma lenda viva se distancia da memória de uma lenda viva. Daqueles em que se torna, em versão concentrada e a poucos metros do nosso olhar, em tudo aquilo que fez com que ao longo dos anos tenha colocado a minha fasquia bem alta, para o dia em que a pudesse ver ao vivo.

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Barely Alive II

Julho 14, 2008 · Sem Comentários

O título não pretende insinuar que o senhor está velho. Mas eu que tenho uma relação afectivamente desprendida (e de um bocado ignorante, ou seja, cheia de lacunas) com a música dele não foi ali que vi o click que faltava para enfiar a cabeça a fundo na arca de Dylan.

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Barely Alive

Julho 11, 2008 · 2 Comentários

(notas soltas sobre o divertimento dos outros vs. eu e o mundo)

Queria ter chegado cedo mas não deu. Lá se foi o concerto dos Vampire Weekend, os Spiritualized (que gostava de ter espreitado apesar de não serem muito a minha praia) e parte considerável do concerto dos National.

Confirma-se que gosto dos Gogol Bordello em doses homeopáticas. Quando a corda se estica um bocado fico ali feito parvo a olhar para um grupo de gajos que aparentam divertir-se que nem uns loucos, ou seja, fico invejoso.

Ir a festivais no meio de quinhentas coisas para fazer dá mau resultado. Queria ter tido paciência para ouvir se gosto mais dos MGMT ao vivo que em disco (às tantas, quem sabe). E capacidade física para ver, pelo menos, o arranque dos RATM.

Melhor ainda queria ter ido ver o Beck, que consta deu um concerto para uma casa meio vazia como se estivesse no maior palco do mundo (no meio de uma série de distrações nunca calhou ver o Beck ao vivo).

Feitas as contas o bife e a imperial gelada em copo de vidro do Relento acabou por ser o ponto alto da noite. Acontece.

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O amor de S a V

Julho 9, 2008 · Sem Comentários

O concerto da Suzanne Vega ontem foi improvavelmente bom, muito bom, mesmo muito bom, mesmo no meio do recinto das Festas do Almonda.
Tenho pouco ou nada contra festas populares. Eu até consigo dizer que gosto de festas populares. Mas prefiro ouvir música longe das barracas das farturas, dos curiosos que se vão amontoado nos sítios mais improváveis para irem opinando ao longo dos concertos. Ainda assim das duas uma, ou eu estava verdadeiramente hipnotizado ou a multidão indiferente sussurava e não falava alto.
Eu sou um bom bocado suspeito, bastante suspeito. Lembro-me perfeitamente de a ouvir na banda sonora do Pretty In Pink e de ficar com aquele ‘Left Of Center’ no ouvido. Devo ter lido algo sobre ela no Blitz e fiquei ansiosamente à espera do disco, que comprei e gastei, lado a lado, dia após mês após anos. Lembro-me de ter ficado ansiosamente à espera que o segundo chegasse às lojas, bom esse não o comprei mas estava perto e também foi ouvido vezes sem conta. E por isso lembro-me de ter crescido com aquelas canções, que por outro lado foram crescendo comigo.

Não há aqui uma relação perfeita, perdi o primeiro concerto em Lisboa, afastei-me de dois ou três discos (que continuo a conhecer mal mas onde reconheço uma mão cheia de excelentes canções), virei-me para tantas outras canções, comprei um livro em duplicado porque não me lembrava de já o ter comprado, só ontem me lembrei de explicar ao meu filho quem era aquela senhora de olhos claros e voz doce.

Nesta relação, não perfeita, houve concertos excelentes e outros que se limitaram a cumprir. O de ontem leva as canções ao osso, num formato estranho. A guitarra dela, um baixo, uma bateria e uns samples ocasionais. Desconfio que há uns sortudos que hoje na Guarda vão ter uma experiência daquelas que nunca se esquecem.

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assim de repente

Julho 8, 2008 · 1 Comentário

Já se passaram uns dias desde a Feira do Livro. “O senhor não prefere um exemplar autografado”? Encolhidos os ombros lá disse que sim, para aparente espanto e desconforto da autora que estava entretida a conversar, e meu que não tinha nada para lhe dizer. Hoje podia dizer-lhe que me aborrece a maneira como ela escreve, aquela insistência em andar aos círculos, contando a mesma história várias vezes. Eu nem sou o gajo mais inteligente do mundo, e tenho dificuldade em fixar coisas, mas bolas, seu eu não percebi ou se me escapou alguma coisa prefiro ser eu a voltar atrás. No meio disto tudo o Variações vai para Lisboa viver num quarto alugado na Rua do Vale de Santo António e nos próximos meses (anos? para sempre?) não acontece nada. Ou seja, mais um meio lido para a prateleira.

Ir a Nova Iorque é uma experiência única, mesmo sem tempo para ir a um terço dos sítios que já temos apontados na memória há imenso tempo, mesmo com a normal frustração de sentir não ter aproveitado um décimo do que a cidade tem para nos oferecer.

Os dias antes de férias são um inferno. Por um lado a cabeça já só pensa em planos futuros enquanto se vai limpando lixo de cima da secretária e se tenta reduzir ao mínimo os telefonemas inoportunos quando estamos com os pés na água, a lutar por chegar à sesta, de copo na mão longe do mundo.

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E não cairei sozinho

Junho 25, 2008 · 5 Comentários

São 3 relatórios 3. Um deles já só vai com dois meses de atraso. Havia um quarto que pelo caminho se transformou num simples e simplificado memorando.
O primeiro está começado com várias notas tiradas, mas leva já quase dois meses de atraso.
O segundo ainda pode ficar em banho maria por uns dias, mas tem necessariamente de estar entregue até à proxima quinta.
O terceiro nem me atrevo a pensar nele, mas se até sexta feira não estiver pronto deixa de fazer sentido (ora aqui está uma boa estratégia).
Vou beber um café.

Story, animation and direction by Johnny Kelly. Voice Over by Bryan Quinn.

http://www.mickeyandjohnny.com/

Copyright Royal Academy of Fine-Arts Two-Thousand and Seven.

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os teus 15 (ou mais) hits de glória na web 2.0

Junho 23, 2008 · Sem Comentários

Esta espécie de agradecimento encriptado está fora do sítio, mas quando dois dos teus heróis de papel, de quando eras tão novo que acreditavas que o mundo era a preto e branco, e facilmente revolucionável, te linkam, tiveste os teus 15 hits de glória.

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Eu nem costumo ligar muito a clips, mas há regras e excepções

Junho 12, 2008 · 1 Comentário


Brighton Port Authority - Toe Jam

O resultado da colaboração entre Fatboy Slim, David Byrne e Dizzee Rascal. Bom, a canção não envergonha nenhum Byrne mas o vídeo é brilhante, absolutamente brilhante. E tem piada que até podia ser o verso desta medalha que musicalmente não me atrai mas à qual reconheço (há algum tempo) coragem videográfica.

descobri o vídeo dos BPQ aqui e o dos SR aqui, obrigado a ambos.

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longa vida ao presidente Cavaco

Junho 10, 2008 · 1 Comentário

Tenho para mim que o 10 de Junho deveria evoluir de uma vez por todas para um dia em que, a par das comunidades portuguesas no estrangeiro, fossem lembradas e discutidas (em festa) as comunidades estrangeiras em Portugal. Pode ter sido um lapso, um tique nervoso, mas algo que diz que Cavaco não concorda comigo. Nada de novo (infelizmente).

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